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Tema

O tema que o V PROJETAR pretende discutir – Processos de Projeto: teorias e práticas – estrutura-se a partir de vários questionamentos que se podem fazer às plurais tentativas de compreensão e explicação do ato de projetar em arquitetura e urbanismo e suas repercussões para o ensino do projeto. A delimitação das temáticas do evento se desenvolve a partir da pergunta:

Projetar é um campo de conhecimento ou um caminho para o conhecimento da Arquitetura?

Uns diriam que projetar se aprende projetando. Quem considera que assim seja, não pode recusar as questões daí decorrentes: a partir do que se projeta? Como se desenvolve o processo de projeto? Quais são os procedimentos que nesse fazer assegurariam a obtenção de melhores projetos? Tais questões se inscrevem na reflexão sobre a ação de projetar, que por sua vez remetem a possíveis  metodologias e teorias do projetar.

Por outro lado, há aqueles que negam a existência de metodologias projetuais ou pressupostos teóricos que possam assegurar a qualidade da produção arquitetônica. E o fazem com argumentos bastante consistentes. O importante, dizem, é o desenvolvimento da criatividade, é o processo criativo. Mas quais são as especificidades desse processo no âmbito da produção arquitetônica? Quais são os principais entraves ao desenvolvimento da criatividade na escola e na vida profissional? Quais estímulos poderiam ser acionados para potencializar a atitude criadora? A criatividade é uma manifestação individual ou pode haver criação coletiva? Como seria possível um trabalho colaborativo em projeto? As respostas a essas questões conduzem à formação de um corpus teórico sobre o projetar e sua possível independência relativa à discussão mais ampla sobre a criatividade.

Há, também, aqueles para os quais o projetar é um processo de tentativa e erro, no qual a eliminação do erro se faz através da análise crítica. Segundo esses, o processo de projeto se desencadeia a partir de um problema de arquitetura e urbanismo para o qual o arquiteto formula hipóteses projetuais submetendo-as, sucessivamente, ao próprio crivo e à crítica de terceiros, após o que escolhe uma, eliminando as demais. A esses podemos endereçar algumas questões: quais conhecimentos convergem – e em que medida – para a problematização de uma situação arquitetônica e urbanística? E para a formulação de hipóteses projetuais (ou soluções arquitetônicas)? Quais operadores podem resultar numa avaliação crítica edificante? Podemos identificar – e, então, criticar objetivamente – os pressupostos presentes num projeto? Questões desse tipo convergem para um campo de saber sobre as práticas projetuais em Arquitetura e Urbanismo, não circunscrito em teorias e metodologias autônomas, mas articulado a partir de várias contribuições externas.

Ao colocar em foco o processo de projeto, várias visões teóricas e possibilidades práticas podem ser encontradas. Interessa  ao evento levantar essas várias abordagens e  discutir os questionamentos delas decorrentes que possam contribuir para melhoria da qualidade dos projetos realizados e maior eficiência em seu ensino.

As temáticas do evento devem girar em torno das diversas respostas a essas questões e seus cruzamentos críticos.  Espera-se que os participantes do evento contribuam para o levantamento e  refinamento de questões acerca do projetar e que as discussões sobre suas possíveis respostas avancem o corpus teórico da área. Os trabalhos enviados serão selecionados em função desta contribuição. A delimitação temática dos vários eixos axiais, mesas redondas e apresentação de trabalhos não será definida a priori, pois será estruturada a partir do panorama das contribuições dos trabalhos selecionados. Nesse sentido, os trabalhos descritivos sobre experiências de projeto e seu ensino, só serão consideradas relevantes se  inseridas no esforço deste debate teórico.